O Pastor e os seus Rebanhos Pascais

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Na homilia das muitas missas diárias a que durante anos fui compelido a assistir, na minha condição de prisioneiro em colégio interno católico – pena a que fui condenado por crime que não cometi – a não ser, talvez, o crime de ter nascido pobre, pouco mais que miserável, ou por ter-me morrido o pai quando ainda não completara oito anos de idade – o padre constantemente e aborrecidamente falava na metáfora do pastor e das suas ovelhas.

Recordei-me da metáfora um dia destes, quando atravessava de automóvel a rua única de uma aldeia. Lá ia o sacerdote com os seus ovinos, em procissão, ou lá como é que se chama à pseudo-representação da «via sacra». E eu atrás deste rebanho, durante longos minutos. Foi então que pensei na metáfora, nos pastores, nos verdadeiros pastores, e nas suas ovelhas, nas verdadeiras ovelhas, com que por vezes me cruzo, em ruas e estradas: imediatamente se desviam, ovelhas e pastor, para um dos lados da estrada ou rua, para permitir que eu siga viagem.

Pois, com estas católicas ovelhas nada disso aconteceu; este parco rebanho, de vinte ou pouco mais alminhas, não se moveu um centímetro, fazendo mesmo questão de se espaçar o melhor que conseguia, para assim poder ocupar toda a largura da rua. Deve ser este o tão apregoado respeito católico pelo Próximo.

(Nota tirada na Páscoa de 2015 – que agora estamos todos de Quarentena)

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