Contos para ler antes de Morrer

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Muitas vezes associado à tradição oral, o Conto é um dos géneros literários mais antigos, tendo evoluído ao longo dos séculos para formas muito diversas, razão que o torna um género muito difícil de caracterizar, ou catalogar numa corrente literária ou estética. Para quem não tem o hábito de ler esta forma literária, fiz uma seleção de obras e autores que considero imprescindíveis neste género. Existindo tantas obras e autores magníficos, esta lista está condicionada pelo meu conhecimento e gosto pessoal.

As Mil e Uma Noites, é um dos clássicos da Literatura mundial, um conjunto de contos de  origens diversas, nomeadamente contos do folclore indiano, persa, e árabe. Não existe uma versão definitiva, pois existem diversos manuscritos árabes; a primeira versão ocidental foi reunida e traduzida para Francês por Antoine Galland, a partir de manuscritos do século IX, os mais antigos que se conhecem. A versão de Antoine Galland foi suavizada, retirando muitas cenas eróticas, acrescentando alguns contos, e recreando outros. No entanto, a curiosidade despertada pelos contos divulgados por Galland levou a que mais tarde outros autores fossem em busca de outros contos perdidos, ampliando a colectânea. Entre outros, o inglês Richard Francis Burton, no final do século XIX, reuniu novamente estes contos, numa edição que popularizou definitivamente As Mil e Uma Noites, e escandalizou a Inglaterra Vitoriana, pois não só não censurou as partes eróticas, como ainda lhes deu ênfase. Da mesma época é a versão de Joseph-Charles Mardrus, aquela que eu aconselho, pois será, na minha opinião, a mais fiel. Entre os contos mais conhecidos de As Mil e Uma Noites encontram-se Ali Babá e os Quarenta Ladrões, Simbad o Marinheiro, e Aladim e a Lâmpada Mágica – curiosamente nenhuma destas histórias se encontra nos manuscritos originais que se conhecem de As Mil e Uma Noites, fazendo parte da versão de Antoine Galland. Porém foram mantidas nas recolhas posteriores, encontrando-se atualmente mesmo nas versões árabes. As histórias de As Mil e Uma Noites são narradas por Xerazade, que se oferece para ser entregue como noiva ao rei Xariar. Xariar descobrira que a sua mulher lhe era infiel, e matou-a e ao escravo com que o traía; depois, durante três anos, desposava uma virgem do reino por noite, mandando-a matar no dia seguinte. Xerazade, para evitar morrer, e acabar com o reinado de terror, começa a contar uma história ao rei, que interrompe estrategicamente no clímax, prometendo acabá-la na noite seguinte. O rei, querendo saber o desfecho da história, deixa viver Xerazade, que na noite seguinte acaba a história, começando uma nova. Ao longo de Mil e Uma Noites repete o processo…

Decameron de Geovanni Boccaccio – o título vem do grego antigo (deca + hemeron), e significa dez dias – é um conjunto de 100 contos, escritos pelo próprio ou baseados em histórias suas conhecidas, de origens muito diversas, à semelhança de As Mil e Uma Noites. Também como em As Mil e Uma Noites, a estrutura da obra baseia-se em vários contos interligados. Dez jovens, três rapazes e sete raparigas, reunem-se para contar histórias, de maneira a divertirem-se e ocuparem o tempo, enquanto estão fugidos das cidades infestadas pela Peste Negra. Em cada um dos dias escolhidos, um dos jovens será o rei (ou rainha) do grupo, ficando à sua responsabilidade a escolha do tema das histórias que todos terão que contar naquele dia. O primeiro dia fica a cargo de Pampinéia, e o tema é livre. Seguem-se Filomena (histórias de vítimas de rudes assaltos que, contra todas as previsões, alcançam um final feliz), Neifile (histórias de personagens que, graças aos seus esforços, conseguem os fins almejados), Filóstrato (escolhe como tema histórias de amor que tiveram um final infeliz), Fiammetta (histórias de acontecimentos felizes que servem de conclusão a uma série de aventuras trágicas ou lamentáveis de que foram vítimas vários amantes), Elisa (histórias de pessoas que respondendo rápida e prontamente, a uma situação de perda, perigo, ou ridículo, com uma única frase, invertem a posição de desvantagem em que se encontram), Dioneu (histórias dos enganos que as mulheres fazem aos maridos impelidas pelo amor), Lauretta (histórias sobre enganos que as mulheres fazem aos homens, que os homens fazem às mulheres, e uns aos outros), Emília (cada um dos participantes contará uma história sobre o tema que mais lhe agrada), e por último Panfilo (histórias daqueles que por liberalidade fizeram obras de amor ou outra qualquer).

Contos, dos Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm), são uma recolha de contos, fábulas, e lendas. Publicados pela primeira vez em Berlim entre 1812 e 1815, com o título Contos da Infância e do Lar, esta obra cresceu em popularidade ao longo do século XIX, consagrando-se como um dos tesouros da cultura popular alemã e europeia, é actualmenta a obra de língua alemã mais traduzida e publicada no mundo. Desde a primeira edição até à última foram sendo adicionados contos, perfazendo na última edição um total de 211. Na época esta recolha foi bastante criticada, porque embora o título dissesse que eram contos para crianças, muitos contos não eram vistos como sendo adequados a crianças. Na realidade muitos contos mostram a maldade do ser humano num estado puro: há carnificina, inveja, soberba, assassinatos, raptos, e a maioria das histórias, ao contrário daquilo que se poderá crer, não acabam em bem. Fazem parte desta obra contos famosos, nomeadamente os popularizados pela Disney, como Branca de Neve, Cinderela, A Bela Adormecida, ou Hansel e Gretel. Quem procurar histórias de príncipes e princesas que viveram felizes para sempre não sairá desiludido – mas em muitos casos não é o que acontece.

Histórias e Aventuras (Eventyr og Historier), de Hans Christian Andersen. Entre 1835 e 1842 Hans Christian Andersen publicou seis volumes de contos, e continuou a escrever até 1872, tendo escrito um total de 156 histórias. Embora também tenha escrito peças de teatro, poesia, e romance, foi como contista que ganhou a imortalidade. Ele revolucionou o género dos contos infantis, com histórias que são simultaneamente acessíveis para as crianças, mas que têm lições de vida para todas as idades, histórias em que as personagens são confrontadas com situações difíceis, por vezes extremas, em que são postas à prova as suas virtudes e a sua resiliência. Os seus contos fazem, hoje em dia, parte do consciente colectivo, encontrando-se entre as suas histórias algumas muito famosas como O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, ou A Pequena Vendedora de Fósforos, entre muitas outras. Existem diversas adaptações cinematográficas, teatrais, etc.

Contos, de E.T.A. Hoffmann, pioneiro do género fantástico, misturava pitadas de macabro com realismo; as suas narrativas insólitas e fantásticas são consideradas precursoras do surrealismo e da literatura de terror. Influenciado por escritores como Goethe, Cervantes, Shakespeare, ou Swift, E.T.A. Hoffmann influenciou, por sua vez, entre os contistas, Edgar Allen Pöe, Nicolai Gógol, Hans Christian Andersen, e Franz Kafka; O Homem de Areia, é o seu conto mais conhecido e estudado. É também o autor da novela O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos, na qual é baseado o balet O Quebra-Nozes (embora a partir de uma versão infantil da autoria de Alexandre Dumas, pai). Nos seus contos, que se encontram habitualmente reunidos em duas colecções: Contos Nocturnos (1816-1817), e Contos Fantásticos (1814-1815), Hoffmann põe a nu o lado grotesco da natureza humana, juntando a vida de pessoas comuns com personagens e ocorrências sinistras; o sono, o sonambulismo, os pressentimentos, a premonição, e a telepatia, entre outros, são os elementos do paranormal que estruturam os seus contos. Hoffmann debruça-se sobre temas como a dualidade da personalidade, as tragédias provocadas por desejos insatisfeitos, a natureza frágil do amor, do matrimónio, e da estrutura familiar. Com as suas descrições que juntam o ordinário e o extraordinário, a psicologia e a fantasia, Hoffmann produziu descrições que agarram e emocionam os leitores, sendo um verdadeiro mestre do suspense.

Contos, de Anton Tchekhov. Considerado por muitos escritores e críticos o melhor contista de todos os tempos, Tchekhov foi também médico e dramaturgo. Começou por escrever apenas para atender às dificuldades financeiras por que passava, como forma de pagar os seus estudos e ajudar a família, mas à medida que a sua ambição artística foi crescendo, Tchekhov criou algumas inovações técnicas e estilísticas que o consagraram e influenciaram profundamente a evolução não só do conto, mas também da literatura moderna em geral. Entre estas inovações destaca-se a técnica do fluxo de consciência, mais tarde adoptada e celebrizada por James Joyce, e o abandono dos propósitos morais das histórias, algo que sempre tinha estado presente na estrutura tradicional dos contos. É um dos escritores mais influentes de sempre, tendo influenciado, entre outros, escritores como James Joyce, Virginia Woolf, George Bernard Shaw, Raymond Craver, Vladimir Nabokov, Ernest Hemingway, ou Jorge Luis Borges. Na sua obra – muito extensa – Anton Tchekhov mostra um conhecimento íntimo da alma humana, com todos os seus defeitos e qualidades, através de retratos subtis da vida quotidiana das suas personagens, e de uma visão simultaneamente sombria e apaixonada da humanidade.

Contos de São Petersburgo, de Nicolai Gógol. Romancista, dramaturgo, e contista, Gógol é considerado o pai do realismo russo; embora um escritor realista, a obra de Gógol tem também profundos traços românticos, e do que viria a ser o surrealismo. As suas narrativas estão geralmente repletas de uma enorme imaginação e bom humor, misturando de forma magistral a fantasia – com elementos grotescos – e a realidade. Entre os seus contos mais conhecidos encontram-se títulos como O Diário de um Louco, O Retrato, O Nariz, O Capote, e A Perspectiva Nevsky. Prisioneiro de conflitos interiores em que se debatiam a hipocondria, homossexualidade, e um crescente misticismo, a saúde de Gógol deteriorou-se rapidamente nos últimos anos de vida, tendo destruído grande parte do que seria a segunda parte de As Almas Mortas, romance que seria uma Divina Comédia moderna, e cuja primeira parte lhe valera a fama e o sucesso literário. Apesar de uma vida curta, e de uma obra pouco extensa, Gógol influenciou profundamente a literatura russa e mundial, nomeadamente o escritor Fiódor Dostoiévsky.

Contos, de Máximo Gorki. Escritor realista, a sua vida e obra estão profundamente interligadas com o tumultuoso período revolucionário russo. Foi romancista, dramaturgo, contista, e activista político. Esta última faceta da sua vida fez com que contribuísse para a formulação e consolidação dos princípios do realismo socialista, o que se reflecte nos seus contos, que trazem para primeiro plano o povo miserável e ignorado da maioria das grandes obras literárias, como os mendigos, os vagabundos, e os operários, que Gorki retrata com grande ternura, conhecimento, e humanidade. O seu verdadeiro nome era Alexei Maximovich Peshkov, e a criação do pseudónimo Máximo Gorki deveu-se apenas a motivos políticos, ao facto de ser vigiado pelas autoridades – em consequência do seu activismo político, nomeadamente a sua participação em grupos e actividades revolucionárias – e não a razões artísticas. Autor do conhecido romance Mãe, ou da obra-prima A Confissão, Máximo Gorki escreveu também diversos contos.

Contos, de Edgar Allan Poe – considerado um dos mestres do conto, criou com apenas três contos, protagonizados pela famosa personagem Auguste Dupin, um dos géneros mais bem sucedidos da literatura: a literatura policial (Os Crimes da Rua Morgue, O Mistério de Marie Roget, e A Carta Roubada). H. P. Lovecraft, autor que revolucionou o género do terror, considerava-o “deidade e referência”; as suas histórias extraordinárias, de terror, e policiais, foram glorificadas por autores de referência, como Baudelaire, Cortázar, ou Fernando Pessoa (um dos muitos autores que traduziram o seu célebre poema «O Corvo»). A poesia era a verdadeira aspiração de Allan Poe, porém as implacáveis dificuldades económicas não lhe permitiram que se dedicasse a ela por inteiro, vendo-se obrigado a colaborar com diversos jornais, e a escrever contos para tentar sobreviver. Poe foi o primeiro escritor Norte-Americano a tentar viver apenas da Literatura, e as dificuldades, sarilhos, e problemas a que isso o conduziu poderão ter servido de inspiração a muitas das situações caricatas em que as suas personagens se vêem envolvidas. O tom do discurso narrativo dos contos de Allan Poe é obscuro e ameaçador, conduzindo o leitor através de acontecimentos estranhos, melodramáticos, sobrenaturais, e diabólicos. Poe explora também o horror psicológico – que conheceria de perto, se tivermos em conta os desequilíbrios psíquicos que o atormentaram ao longo da sua curta vida. Terminou os seus dias dois anos após a morte de Virgínia Clemm, a sua musa inspiradora, e prima, com quem casara aos 27 anos, tinha ela 13, só, derrotado, humilhado, arruinado…

As Aventuras de Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Sherlock Holmes é uma das personagens mais conhecidas da literatura mundial, tendo aparecido pela primeira vez na novela policial Um Estudo em Vermelho – baseado no professor de Conan Doyle, Joseph Bell, conforme o próprio Arthur Conan Doyle revelou, e alguns leitores da época, em especial o escritor Robert Louis Stevenson, reconheceram, são também evidentes as semelhanças com C. Auguste Dupin, personagem dos três contos com que Allan Poe criou o género policial. Morto em 1893, juntamente com o seu arquirival Moriaty, no conto O Problema Final, Sherlock Holmes seria ressuscitado por pressão dos leitores de Conan Doyle, primeiro no romance O Cão dos Baskerville, em 1901, mas situando a narrativa num tempo anterior à morte de Sherlock Holmes, e depois em 1903, no conto A Casa Vazia. Sherlock Holmes aparece num total de 60 histórias (56 contos e 4 romances: Um Estudo em Vermelho; O Signo dos Quatro; O Cão dos Baskervilles; e O Vale do Medo). Os contos foram reunidos em 5 colecções: As Aventuras de Sherlock Holmes; As Memórias de Sherlock Holmes; O Regresso de Sherlock Holmes; O Último Adeus de Sherlock Holmes; e O Livro de Casos de Sherlock Holmes.

Contos. Oscar Wilde, conhecido principalmente pela sua obra O Retrato de Dorian Gray e pelas suas peças teatrais, além de dramaturgo e romancista, Wilde foi também poeta, e um excelente contista. Os seus primeiros contos foram contos infantis escritos para os seus filhos, nomeadamente O Príncipe Feliz, O Rouxinol e a Rosa, e O Amigo Dedicado; só posteriormente Wilde decidiu publicá-los. Nestes primeiros contos Wilde preocupou-se em deixar lições de moral através do uso de linguagem simples. Publicou quatro obras de contos: O Príncipe Feliz e Outros Contos (contos infantis, 1888), O Retrato do Sr. W. H. (conto recebido ferozmente pela crítica por se basear num assunto polémico: o mistério da identidade do protagonista, suposto autor dos Sonetos de William Shakespeare, 1889), A Casa das Romãs (contos infantis, 1891), e O Crime de Lord Arthur Savile e Outros Contos (1891 – inclui O Fantasma de Canterville, conto publicado anteriormente num periódico, em 1887).

Contos, Franz Kafka – um dos autores mais influentes do século XX, Franz Kafka escreveu vários contos e colectâneas de contos, entre estes destacam-se os contos Metamorfose (ou A Transformação, termo que em Português será mais aproximado à ideia original de Franz Kafka), Na Colónia Penal, e A Sentença, todos publicados autonomamente. Kafka escreveu desde pequenos contos (micro-contos de apenas algumas linhas) até contos longos, como os referidos, que pelo tamanho são muitas vezes referidos como novelas. Entre os contos publicados em vida (que constituem a grande parte dos contos que compõem a sua obra), destacam-se ainda as colectâneas Observação (também traduzido como Considerações; conforme o título indica, são pequenos contos, sendo o maior de 6 páginas), Um Médico Rural, e Um Artista da Fome. Além dos contos Kafka escreveu três romances: O Processo, Amerika, e O Castelo, todos incompletos ou inacabados – do romance Amerika havia sido publicado em vida o primeiro capítulo como um conto autónomo, com o título O Fogueiro. Kafka havia deixado ao amigo Max Brod a indicação de que estes textos deviam ser destruídos – felizmente, Max Brod não cumpriu as indicações – e calcula-se que Kafka tenha queimado cerca de 90% dos textos que escreveu em vida, razão pela qual esta obra que acabou por ser tão influente é apenas uma pequena parte de tudo o que foi produzido. Dos contos apenas publicados após a morte de Kafka, destaco três: A Grande Muralha da China, O Covil (ou A Toca), e Investigações de um Cão.

Contos para Um Ano (Novelle per un anno), de Luigi Pirandello. Contos publicados em 15 volumes, entre 1922 e 1937, num total de 250 contos. Pirandello tencionava escrever 365 contos, e por esta razão o título geral da colectânea de contos se intitulava Contos para um Ano. Muitos dos contos de Pirandello foram adaptados para peças teatrais, pois a sua principal ocupação foi a de dramaturgo. Entre eles destaca-se aquele que deu origem a uma famosa peça teatral com o mesmo título Seis Personagens em Busca de Um Autor. Luigi Pirandello é um dos principais representantes do movimento modernista, e a sua obra foca-se nas questões da personalidade, da identidade, e do inconsciente (o romance Um, Ninguém, e Cem Mil, é neste campo uma obra-prima). Na sua obra teatral é considerado um dos precursores do teatro do absurdo. Na sua obra recorre também muitas vezes ao uso do humor (mas fugindo ao cómico), pois dizia que no cómico existe uma atitude de distanciamento e superioridade, enquanto o humor é uma forma de lidar com a realidade – quantas vezes absurda. Luigi Pirandello recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1934.

Contos. H. P. Lovecraft foi um escritor praticamente desconhecido em vida, que revolucionou o género de terror, juntando-lhe elementos dos géneros da fantasia e ficção científica. Criou um universo muito próprio, caracterizado pelo pessimismo e cinismo, onde colocava em causa os valores humanos, como o cristianismo ou o humanismo, defendendo que o universo era extremamente hostil aos interesses humanos, e a vida lhes é incompreensível. Lovecraft explorou nos seus contos temos como o conhecimento proibido, as influências não-humanas na humanidade, a culpa hereditária, o destino, a civilização sob ameaça, raça, etnia, e classe, religião, e os riscos da era científica. Apelidado por Stephen King como “o maior praticante do século XX do conto de horror clássico”, a influência de Lovecraft não se restringe à Literatura, tendo influenciado a cultura do século XX nos campos da música, cinema, vídeojogos, ou banda-desenhada, por exemplo. Escreveu um único romance, O Caso de Charles Dexter Ward. Os muitos contos que escreveu – mais de 100 – encontravam-se dispersos por diversas revistas à data da suas morte, sendo difícil referenciar algum em especial. Quem quiser iniciar-se neste escritor (e universo), deve procurar alguma colectânea. O seu trabalho começou por ser influenciado pelo de Edgar Allen Poe, que Lovercraft considerava “deidade e referência”, e também sonhos que tinha, em muitas das suas noites mal dormidas. Jorge Luis Borges dedicou-lhe o conto There Are More Things, o quarto conto da sua obra O Livro de Areia.

Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia (2011), de J. Rentes de Carvalho. Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia reúne os contos de Rentes de Carvalho que haviam sido publicados em duas obras distintas: O Joalheiro (De Jutwelier, 1987) e O Milhão – recordações e outras fantasias (Het Miljoen – herinneringen en andere verzinsels, 1991). J. Rentes de Carvalho é um escritor português que actualmente divide o seu tempo entre Portugal e a Holanda, e que apenas em 2009 se tornou conhecido do grande público em Portugal, apesar de ter sido durante décadas um bestseller na Holanda (as suas obras são originalmente escritas em Português, porém a maioria foi primeiramente publicada em Holandês, havendo ainda diversos títulos que não estão publicados em Língua Portuguesa). Rentes de Carvalho saiu de Portugal para fugir à ditadura salazarista, tendo vivido no Rio de Janeiro, São Paulo, New York, Paris (enquanto residiu nestas cidades trabalhava para os jornais O Correio Paulistano, O Estado de São Paulo, O Globo, e a revista O Cruzeiro), e finalmente Amesterdam, para onde foi trabalhar como assessor do adido comercial da embaixada do Brasil. O conto que dá o título a esta colectânea de contos foi escrito propositadamente para esta edição, e é uma homenagem ao escritor Dalton Trevisan, um dos autores preferidos de Rentes de Carvalho.

Bichos, de Miguel Torga. Miguel Torga é considerado um dos escritores Portugueses mais importantes do século XX. Escreveu poesia, contos, romances, teatro, e uma extensa obra diarística (onde estão incluídos muitos dos seus poemas e contos). Bichos é uma das suas obras emblemáticas – e uma das minhas preferidas, juntamente com o romance autobiográfico do Mundo. Miguel Torga teve uma vida atribulada, marcada pelo desejo de independência face a todos os poderes, ideias, e correntes, tendo criado uma obra muito própria, que publicou ao longo da vida em edições de autor, na cidade onde passou a maior parte da sua vida, Coimbra, depois de uma infância e adolescência atribulada. Emigrou em 1920, com 12 anos, para o Brasil, para trabalhar numa fazenda de um tio, em Minas Gerais. Tendo-se o tio apercebido da inteligência de Miguel Torga, propõe-se pagar-lhes os estudos na Universidade de Coimbra, o que levou Miguel Torga a regressar a Portugal, em 1925, onde se formou em Medicina (estes episódios são narrados no romance A Criação do Mundo). Bichos reúne 14 contos onde os bichos têm nome de gente, que como pessoas, têm a capacidade de interagir com o meio onde estão, que como o ser humano, utilizam as manhas para (sobre)viver. Assumem comportamentos, exprimem sentimentos e emoções; são espertos umas vezes, inteligentes outras; acomodam-se ou revoltam-se, tal como o ser humano. E assim, no retrato dos bichos temos o Homem retratado. Escreveu aindas as colectâneas de contos Contos da Montanha, e Novos Contos da Montanha. Recebeu, em 1989, o Prémio Camões.

As Formigas, de Boris Vian. Boris Vian foi um engenheiro, patafísico, poeta, escritor, contista, e cantor Francês, de saúde débil e uma imaginação sem limites. Associado ao movimento surrealista, Boris Vian escreveu histórias nonsense que fazem dele provavelmente o maior praticante do género, num registo diferente do de Lewis Carroll, menos racional e lógico, muito mais absurdo. Escreveu em nome próprio e com os pseudónimos Bison Ravi (poesia) e Vernon Sullivan – suposto autor Americano, autor de romance policiais negros, sádicos, e eróticos, nome com que Boris Vian alcançaria o sucesso literário em vida, sucesso que lhe fugiu com o nome próprio – em comum com a obra de Boris Vian publicada em seu nome, o negrume e a angústia. A colectânea As Formigas foi publicada em 1949; são 11 contos onde se encontra o melhor e o pior de Boris Vian, que se encontravam dispersos por jornais e revistas. Nesta obra encontram-se 4 contos em que não existe qualquer relação detectável com o conteúdo do texto – foi com o romance Outono em Pequim (1947), umas das suas obras mais famosas, que Boris Vian iniciou esta opção estética, em que a acção não acontece no Outono nem decorre em Pequim. É talvez o caso mais famoso na literatura mundial, mas não foi original – já existia na literatura francesa a obra O Guarda-Chuva na Esquadra, de Alphonse Allais, sem guarda-chuva nem esquadra…

Contos, de Truman Capote. Antes de se tornar mundialmente famoso (e rico), com a publicação do romance de não-ficção A Sangue Frio (1965), romance que lhe garantiu um lugar na galeria de imortais, mas que lhe terminou precocemente a carreira, Truman Capote foi um praticante deste gênero em que se iniciaram tantos escritores, o conto. Escreveu para publicações como The Atlantic Monthly, Mademoiselle, The New Yorker, Harper’s Magazine, e Harper’s Bazaar. São do período anterior a A Sangue Frio a maior parte dos seus contos; na verdade publicou apenas três contos após a publicação de A Sangue Frio: O Convidado do Dia de Ação de Graças (1967), dedicado a Harper Lee, Um Natal (1982), e Mojave (1975), publicado na revista Esquire, conto que fazia parte do muitas vezes anunciado, protelado, e nunca concluído Súplicas Atendidas (Answered Prayers), conto que levou a que os ricos e famosos com que Truman Capote privara nos últimos anos – e que ele pretendia retratar – o abandonassem, facto que levou a que Truman Capote vivesse os últimos anos da sua vida cada vez mais só, isolado, e derrotado. Entre os seus contos encontram-se pequenas obras primas como Miriam, As Paredes são Frias, Fechar uma Última Porta, ou A Minha Versão das Coisas, entre outros.

Contos. Jorge Luis Borges, escreveu poesia, contos, ensaios, crítica literária, e foi também bibliotecário e tradutor (aos 11 anos traduziu Oscar Wilde). Os seus contos mais populares abordam temas tão diversos, como os sonhos, a natureza do tempo, o infinito, os espelhos, os labirintos, a realidade e a identidade, as bibliotecas, e livros e escritores fictícios. Influenciou a Literatura fantástica, nomeadamente o realismo mágico, popularizado após o sucesso de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Entre os seus contos mais conhecidos encontram-se O Bibliotecário de Babel, O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam, e Pierre Menard, Autor do Quixote. Na sua obra enquanto contista destacam-se os títulos Ficções (1944), O Aleph (1949), História Universal da Infâmia (1935), e O Livro de Areia (1975).

Contos de Rubem Fonseca. Rubem Fonseca fez um pouco de tudo antes de chegar a escritor; foi escriturário, nadador, estafeta de escritório, comissário de polícia, revisor de jornal, formou-se em direito, até que publicou, em 1963, a colectânea de contos Os Prisioneiros, sendo de imediato reconhecido pela crítica e pelo público. Publicou dois anos depois outra colectânea de contos, A Coleira do Cão (1965), a que se seguiu Lúcia McCartney (1967). Só anos depois chegou a romancista, obtendo com O Caso Morel (1975), sucesso internacional, nomeadamente em França. Continuou entretanto a publicar colectâneas de contos, perfazendo um total de 13 obras de contos: Feliz Ano Novo (1975), O Cobrador (1979), Romance Negro e Outras Histórias (1992), O Buraco na Parede (1995), Histórias de Amor (1997), A Confraria dos Espadas (1998), Secreções, Excreções e Desatinos (2001), Pequenas Criaturas (2002), Ela e Outras Mulheres (2006), Axilas e Outras Histórias Indecorosas (2011); publicou também, em 2004, uma selecção dos seus melhores contos até então: 64 Contos de Rubem Fonseca. A escrita de Rubem Fonseca é bastante concisa, o que torna a sua leitura um acto veloz, a mesma velocidade a que os acontecimentos se sucedem; obras repletas de conteúdo sexual, e violência, à semelhança da literatura noir americana, que o terá influenciado, a ação decorre usualmente em contextos urbanos e cosmopolitas, onde assassinos, prostitutas, marginais, e miseráveis, se juntam de forma soberba. Afirma que um escritor deve ter a coragem para mostrar aquilo que a maioria têm medo de dizer.

Morte no Verão, de Yukio Mishima. Yukio Mishima (pseudónimo de Kimitake Hiraoka: Yukio é uma derivação da palavra japonesa para neve; Mishima é a cidade de onde melhor se vê o pico nevado do Monte Fuji) foi contista, romancista, dramaturgo, ensaísta, crítico, actor, e realizador de cinema. Considerado mestre do conto breve no Japão, país onde este género é encarado como uma arte maior, poucas dos suas obras de contos estão traduzidas para línguas ocidentais, apesar de mundialmente famoso como autor de romances como Confissões de Uma Máscara, Cores Proibidas, O Templo do Pavilhão Dourado, Depois do Banquete, a tetralogia Mar da Fertilidade, ou as belíssimas novelas Tumulto das Ondas, e O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar. Morte no Verão é uma selecção de 9 dos seus melhores contos, publicados em revistas como a Cosmopolitan, Esquire, ou Harper’s Bazaar, feita por Yukio Mishima, para publicação em Inglês. Num dos contos, Patriotismo, um oficial do exército e a sua mulher escolhem uma forma de defender as suas crenças em valores antigos que é tão violenta quanto tradicional, e que o próprio Mishima adoptaria anos depois: a morte por seppuku. Morte, amor, (homo)sexualidade, valores e tradições, patriotismo e nacionalismo, perpassam toda a obra de Yukio Mishima. Foi também um importante autor de modernas peças Kabuki e Nô, uma das quais, Dõjõji, foi selecionada por Mishima para integrar Morte no Verão. “A vida humana é limitada, mas eu gostava de viver para sempre”, deixou escrito Yukio Mishima, na manhã de 25 de Novembro de 1970, numa nota sobre a sua secretária, onde também se encontravam as últimas páginas da tetralogia Mar da Fertilidade, antes de cometer seppuku após um golpe de estado falhado.

Contos, de Gabriel García Márquez. Erradamente considerado por muitos leitores (e alguns críticos) o pai do realismo mágico, Gabriel García Márquez, ou Gabo, como é conhecido pelos muitos admiradores, é na verdade o seu filho mais conhecido, e provavelmente o mais talentoso. Contista, romancista, jornalista, e argumentista, reconhecido em todo o mundo pela monumental obra Cem Anos de Solidão, que de tão genial ofusca a restante obra do autor, Gabo é também um prolífico autor de contos, género com que iniciou a sua carreira literária, com a publicação do conto A Terceira Resignação, no jornal El Espectador, a 13 de Setembro de 1947 (na verdade, a carreira literária publicada de Gabo havia começado a 22 de Junho do mesmo ano, num suplemento do jornal La Razón, com a publicação de poesia, género que felizmente abandonou). Publicou um total de 42 contos, devididos por 4 obras: Os Funerais da Mamã Grande (1962), A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da Sua Avó Desalmada (1972), Olhos de Cão Azul (1974), e Doze Contos Peregrinos (1992). A Terceira Resignação encontra-se publicado na colectânea Olhos de Cão Azul. As estes contos juntaria as obras Ninguém Escreve ao Coronel (1961), e Crónica de uma Morte Anunciada (1981), pequenas novelas que na realidade poderão ser consideradas contos um pouco extensos.

Contos, de Lydia Davis. Conhecida pelos seus contos curtos, que não ultrapassam as duas ou três páginas na maioria dos casos, Lydia Davis é também romancista, ensaista, tradutora, e professora de escrita criativa na Universidade de Albany (Estados Unidos). Considerada mestre do conto curto, recebeu em 2013 o quinto Man Booker International Prize, que distingue escritores vivos de todo o mundo. O júri do prémio referiu que as suas obras são originais e filosóficas, conseguindo em poucas linhas ser de uma rara profundidade: “A sua obra tem a precisão e a brevidade da poesia.” Os seus pequenos contos englobam diversos gêneros, desde miniaturas, anedotas, ensaios, parábolas, fábulas, textos, aforismos, orações ou ainda a pequenas observações. Escreveu os romance The End of the Story, em 1995, e The Cows, em 2011. Entre as suas obras de contos, a maioria, encontram-se os seguintes títulos: The Thirteenth Woman and Other Stories (1976), Sketches for a Life of Wassilly (1981), Story and Other Stories (1985), Break It Down (1986), Almost No Memory (1997), Samuel Johnson Is Indignant (2001), Varieties of Disturbance (2007), Proust, Blanchot, and a Woman in Red (2007). Em 2009 publicou uma selecção dos seus contos, The Collected Stories of Lydia Davis. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a escritora declarou: “Tento ser tão concisa quanto posso ao expressar o que quero. Mas vale lembrar que Proust também acreditava na concisão. Se uma frase dele pode durar várias páginas, isso não significa que ele tenha dito mais do que necessitasse.”

Contos, de Machado de Assis. Poeta, contista, romancista, dramaturgo, cronista, jornalista, e crítico literário, entre outras actividades, Machado de Assis começou a sua carreira literária com a obra de poesia Crisálidas, dedicada a seu pai que falecera pouco antes da publicação. Machado de Assis era já famoso entre os círculos intelectuais quando lançou as suas primeiras obras, começou por fazer crítica literária (fez a crítica, entre muitas outras, das obras O Crime do Padre Amaro, e O Primo Bazilio, de Eça de Queiroz), publicar poesia, artigos de opinião, crónicas, e críticas em diversas publicações periódicas (jornais e revistas), antes de se lançar a sério naquela que seria uma das mais sólidas carreiras literárias no Brasil. Publicou, em vida, sete colectâneas de contos: Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1873), Papéis Avulsos (1882), Histórias sem Data (1884), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1899), Relíquias da Casa Velha (1906). Muitos outros contos seriam publicados postumamente; escreveu também dez romances, entre os quais, os muito conhecidos Memórias Póstumas de Brás Cubas – considera a obra introdutora do realismo no Brasil, embora um realismo muito próprio de Machado de Assis, com liberdades literárias (que caracterizam toda a sua obra, em minha opinião), a fazer lembrar Laurence Sterne, – e Dom Casmurro, inesquecível história de amor e ciúme. Também escreveu diversas peças teatrais, tendo gozado em vida uma fama e reconhecimento que não eram habituais na época em que viveu. Pouco conhecido fora do Brasil (excepção para alguns círculos intelectuais em Portugal), é hoje em dia considerado um dos maiores génios da literatura mundial. Foi um dos sócios fundadores da Academia Brasileira de Letras, e seu Presidente , unânime, entre 1897 e 1908, ano da morte.

Contos, de Dalton Trevisan. Dalton Trevisan escreve com uma surpreendente economia de palavras: nenhuma é desnecessária. Trevisan escreve a vida tal como ela é, e se nos surpreende tantas vezes é porque escreve a vida como não nos permitimos olhá-la, mas ela está ali, tão visível e tão óbvia, que só por isso não a vimos antes. Na sua Curitiba, nas nossas salas, cozinhas, ou quintais, com os seus, e os nossos, tarados e solteironas, nos seus botequins e nos nossos cafés, nos casos diurnos e nocturnos, casos que todos sabemos, mas ignoramos – ou o contrário. Dalton Trevisan é um escritor único, um dos maiores contistas mundiais. Vencedor do Prémio Camões de 2012, renegou as primeiras obras que escreveu; assim, começou com Novelas Nada Exemplares (1959), que foi buscar o título a Miguel de Cervantes, e continuou sempre, passando, entre outras – a obra é muito extensa – apenas para citar as mais conhecidas, por: Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), livro que lhe deu a alcunha porque é conhecido, A Guerra Conjugal (1969) – o meu exemplar é o número 4057 (hei-de jogar no número na lotaria), da Editora Civilização Brasileira, – Crimes de Paixão (1978), Ah, é? (1994)… Vão logo a um sebo ou livraria procurar um livro deste autor. Escreveu também um romance, A Polaquinha, publicado em 1985.

Contos, de Alice Munro. A 13.ª mulher, em 110 Prémios Nobel da Literatura em 112 anos de história, é considerada uma das melhores contistas da actualidade, apelidade de Tchekov do Canadá, como vinca a pequeníssima declaração da Academia Sueca: «Mestre do conto contemporâneo», e escreveu apenas contos. Em português estão publicadas as seguintes obras: O Progresso do Amor (apenas em Portugal; The Progress of Love, 1986), O Amor de uma Boa Mulher (The Love of a Good Woman, 1998), Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento (apenas no Brasil, Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marriage, 2001), Fugas (Fugitiva, no Brasil, Runaway, 2004), A Vista de Castle Rock (The View from Castle Rock, 2006), Demasiada Felicidade (Felicidade Demais, no Brasil, Too much happiness, 2009), Amada Viva (Dear Life, 2012). Escreveu ainda Dance of the Happy Shades (1968), Something I’ve Been Meaning to Tell You (1974), The Beggar Maid (publicado anteriormente como Who Do You Think You Are?, 1978), The Moons of Jupiter (1982), Friend of My Youth (1990), e Open Secrets (1994). Escreveu também, em 1971, a obra auto-biográfica Lives of Girls and Women, estruturada em forma de contos interligados entre si, formando um romance. Recebeu também, em 2009, o Man Booker Internacional Prize, o mesmo que Lydia Davis recebeu em 2013.

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Fazer uma selecção deste género é sempre um exercício masoquista de exclusão. Tentei seleccionar autores e obras que sejam, além de mais, representativas de uma certa evolução do conto, e da importância dos autores para a literatura dos seus países, mas antes de mais, para a universalidade da literatura – para além da qualidade da obra literária que, penso, é inquestionável em todos estes autores. Concedo que a qualidade de H. P. Lovercraft esteja aquém dos restantes – porém, como referi, a qualidade das traduções disponíveis também não ajuda. Inquestionável é a sua importância para o gênero conto, em especial para a literatura fantástica e de horror.
Deixo uma pequena lista de outras obras e autores que aconselho a todos os apaixonados por este género: Novelas Exemplares, de Miguel de Cervantes, Contos da Cantuária (obra em verso) de Geoffrey Chaucer, Fábulas, de Jean de La Fontaine, a recolha de contos (do género da dos Irmãos Grimm) de Perrault, Dubliners, de James Joyce, Contos, de Eça de Queiroz, A República dos Corvos, de José Cardoso Pires, Antigas e Novas Andanças do Demónio, de Jorge de Sena, Contos do Gin-Tonic e Novos Contos do Gin, de Mário Henrique Leiria (literatura surrealista), Céu em Fogo e Princípio, de Mário de Sá-Carneiro. Ainda os seguintes autores: Nathaniel Hawthorne, Guy de Maupassant, Robert Louis Stevenson, Monteiro Lobato, Lygia Fagundes Telles, Henry James, J. D. Salinger, Isaac Asimov, Raymond Carver, Julio Cortázar, William Somerset Maugham (mais de 100 contos), William Faulkner (também mais de 100 contos), John Cheever, Stephen King, Italo Calvino, Sophia de Mello Breyner Andresen (uma das minhas autoras preferidas, uma das maiores poetisas de língua portuguesa), Adolfo Bioy Casares, Mario Vargas Llosa, Daphne du Maurier, Fiodór Dostoievsky, Agatha Christie, Patricia Highsmith, Richard Ford, Nadime Gordimer, Ernest Hemingway, Thomas Wolfe (precursor do Novo Jornalismo), Peter Carey, Joyce Carol Oates, Margaret Atwood, A. S. Byatt, Jack London, Thomas Hardy (muito bom!), Alexandre Pushkin, Leonid Andreyev, Leo Tolstoi, Nikolai Leskov, Ambrose Bierce, G. K. Chesterton, Dorothy L. Sayers, Graham Greene, Virginia Woolf, Mark Twain, Karen Blixen, Flannery O’Connor. Perdoem-me aqueles que esqueço, assim como eu (não) me perdoo os que não conheço.

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