A distância que nos une…

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Estátua de Fernando Pessoa

Bebe whiskey, pequeno;
Bebe whiskey!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão whiskey.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a destilaria.
Bebe, pequeno sujo, bebe!
Pudesse eu beber whiskey com a mesma verdade com que bebes!*

A distância entre pessoas não se mede em kilómetros, nem sequer em palavras. Ou em palavras que entre nós perderam o significado que outrora tinham. Ou – se fosse possível contá-las – em palavras que deixámos por dizer. A distância entre pessoas mede-se em silêncio – silêncio que talvez seja feito da mesma matéria daquele silêncio com que silenciosamente nos procurávamos, olhávamos, tocávamos, afagávamos – sabe-se lá de que matéria é feito o silêncio! Outrora habitantes do mesmo sonho, vivemos hoje separados na mesma casa. Ou na mesma rua. Que importa, se tão perto estamos tão distantes como se habitantes de diferentes planetas fôssemos? Nós que antigamente até em sonhos nos visitávamos… Ontem sonhei contigo!, dizias.

*Parafraseado do Poema «Tabacaria» de Álvaro de Campos

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